AS PESSOAS
COM QUEM CONVIVEMOS
Com o passar dos
anos, fui compreendendo que uma das escolhas mais importantes que fazemos na
vida é a escolha das pessoas com quem convivemos. Nem sempre podemos escolher
todos aqueles que cruzam o nosso caminho, mas podemos decidir a quem abrimos as
portas do nosso coração, com quem dividimos os nossos pensamentos e quem
permitimos que permaneça mais próximo de nós.
Conviver com
pessoas positivas, agradáveis, tranquilas e que sabem conversar é um verdadeiro
presente. São pessoas que chegam e não pesam o ambiente. Elas sabem ouvir sem
julgar, falar sem ferir, aconselhar sem impor e discordar sem transformar uma
diferença de opinião em conflito. Sua presença acalma, sua palavra conforta e
seu modo de agir nos faz sentir bem.
Existem pessoas que
parecem trazer luz consigo. Não porque tenham uma vida perfeita ou porque
estejam felizes o tempo inteiro, mas porque aprenderam a enfrentar as
dificuldades sem espalhar amargura. Elas também têm seus problemas, suas dores
e suas preocupações, mas não fazem desses sentimentos uma arma contra os
outros. Ao contrário, procuram transmitir esperança, serenidade e confiança.
A ciência tem
demonstrado que os nossos relacionamentos influenciam profundamente a saúde
física e emocional. Uma boa convivência, o apoio social, o diálogo respeitoso e
a sensação de pertencimento ajudam a diminuir os efeitos do estresse,
fortalecem a nossa capacidade de enfrentar as dificuldades e contribuem para
uma vida mais equilibrada. Aquilo que sentimos na companhia de alguém não fica
apenas no pensamento: pode refletir-se no sono, no humor, na pressão arterial,
no coração e até na disposição com que iniciamos um novo dia.
As emoções também
são, de certa maneira, contagiosas. Quando convivemos constantemente com
pessoas serenas, alegres e esperançosas, tendemos a absorver um pouco dessa
maneira de olhar a vida. Da mesma forma, quando permanecemos cercados por
reclamações, agressividade, pessimismo, intrigas e conflitos, podemos terminar
o dia cansados, inquietos e emocionalmente esgotados, mesmo sem perceber
exatamente o motivo.
Espiritualmente,
acredito que cada pessoa transmite aquilo que cultiva dentro de si. Quem
alimenta o amor oferece amor. Quem cultiva a paz transmite paz. Quem preserva a
esperança leva esperança aos outros. Mas quem vive dominado pela raiva, pela
inveja, pelo ressentimento ou pelo desejo constante de criar conflitos também
acaba espalhando essa perturbação por onde passa.
Por isso, cuidar
das pessoas que permitimos permanecer ao nosso redor também é uma forma de
cuidar da nossa alma. Não se trata de abandonar alguém porque está passando por
uma fase difícil. Todos nós temos dias ruins, momentos de tristeza e períodos
em que precisamos de acolhimento. A verdadeira amizade permanece e estende a
mão nesses momentos. Entretanto, existe uma grande diferença entre alguém que
está sofrendo e precisa de apoio e alguém que, repetidamente, escolhe ferir,
perturbar, manipular e retirar a paz dos outros.
Também não
precisamos odiar ninguém para nos afastarmos. Podemos desejar o bem, perdoar e
até fazer uma oração por determinada pessoa, mas compreender que a convivência
próxima não nos faz bem. Às vezes, o afastamento não é falta de amor: é
proteção. É reconhecer os nossos limites e preservar a tranquilidade que
levamos tanto tempo para construir.
A paz interior é
valiosa demais para ser entregue a qualquer pessoa. Precisamos aprender a
estabelecer limites diante daqueles que chegam trazendo palavras agressivas,
discussões desnecessárias, fofocas, pessimismo e energias negativas. Não
devemos permitir que alguém transforme continuamente os nossos dias em um campo
de batalha.
Ao mesmo tempo,
precisamos olhar para nós mesmos e perguntar: que tipo de presença estamos
sendo na vida dos outros? Quando chegamos, levamos paz ou inquietação? Nossas
palavras confortam ou machucam? Sabemos ouvir? Respeitamos o silêncio e os
sentimentos das pessoas? Transmitimos esperança ou passamos o tempo inteiro
reclamando da vida?
Não basta procurar
pessoas positivas; também precisamos ser uma delas.
Ser positivo não
significa fingir que os problemas não existem. Significa enfrentá-los sem
perder a fé. Significa reconhecer as dificuldades, mas continuar acreditando
que haverá um caminho. É saber que a vida tem tempestades, porém não permitir
que elas apaguem definitivamente a luz que existe dentro de nós.
Eu quero conviver
com pessoas que saibam conversar, que tenham respeito, que gostem de sorrir e
que tragam serenidade. Pessoas com quem seja possível dividir um café, uma
lembrança, uma preocupação ou até alguns minutos de silêncio, sem
constrangimento. Pessoas que não precisem diminuir ninguém para se sentirem
maiores e que saibam celebrar a felicidade dos outros sem inveja.
Quero estar perto
de quem me faz sentir mais leve e também desejo ser leve para quem estiver
perto de mim. Quero levar uma palavra amiga, um abraço sincero, um pouco de
esperança e tranquilidade. Afinal, não sabemos o tamanho da batalha que cada
pessoa está enfrentando em silêncio.
A vida já nos
apresenta dificuldades suficientes. Não precisamos escolher companhias que
aumentem desnecessariamente o peso da caminhada. Que possamos caminhar ao lado
de quem nos ajuda a enxergar a beleza dos dias, mesmo quando o céu está
nublado; de quem fortalece a nossa fé e nos lembra de que sempre existe uma
razão para continuar.
No final, a energia
que oferecemos ao mundo retorna de muitas maneiras. Quem planta bondade
encontra acolhimento. Quem oferece respeito constrói confiança. Quem transmite
paz cria ao seu redor um lugar onde os corações podem descansar.
Que Deus nos
conceda sabedoria para reconhecer as boas companhias, coragem para nos
afastarmos daquilo que nos faz mal e humildade para examinarmos a energia que
nós mesmos estamos transmitindo.
Que sejamos
presença de luz, de esperança e de paz. E que, ao passarmos pela vida de
alguém, deixemos essa pessoa um pouco mais feliz, mais tranquila e mais
fortalecida do que estava antes de nos encontrar.
Text :Paulo Ernesto Medeiros PEM
Photo by Helga-Praia da Armação









