História da nossa Vida e da Existência
A vida é um caminho que começa antes mesmo de
sabermos quem somos.
Viemos ao
mundo em um dia qualquer, entre o riso e o choro, entre braços que nos acolhem
e olhos que se iluminam com a nossa chegada.
Nasce aí a primeira certeza: não viemos sozinhos.
Cada existência é entrelaçada a tantas outras, como fios de uma tapeçaria que o
tempo e o destino vão bordando.
E a partir daí, o que nos cabe?
Cabe-nos
viver. Mas não viver apenas de respirar, de passar os dias, não apenas acumular
coisas, nomes, cargos ou aparências.
Viemos para algo maior, invisível aos olhos, mas
essencial à alma: deixar marcas de amor e de bondade.
Durante a
caminhada, descobrimos a infância, com sua inocência e sonhos, onde tudo é
brincadeira e descoberta.
Depois chega
a juventude, ardente de planos, em que o mundo parece vasto demais para caber
nos nossos passos.
Logo vem a
maturidade, quando percebemos que o tempo corre veloz, e aprendemos que viver
não é competir, mas compartilhar.
Por fim, a
velhice, tão sábia, quando os olhos já não enxergam como antes, mas a alma vê
mais fundo e entende o valor de cada instante.
No meio de tudo isso, há encontros que transformam.
Amigos que chegam como irmãos escolhidos, amores
que se tornam porto seguro, família que nos sustenta nas horas frágeis.
E há também as despedidas, que nos ensinam que nada
é eterno no plano terreno, que a vida é breve, e que justamente por ser breve
precisa ser vivida com intensidade e verdade.
A morte dos que amamos nos faz refletir que um dia
também partiremos.
E que nossa
maior obra não será uma casa erguida, um cofre cheio, um nome estampado, mas
sim o que deixamos gravado nos corações.
Que ao partirmos, reste em cada lembrança um gesto
nosso de ternura, uma palavra que inspirou, um trabalho que ajudou, um bem que
permaneceu.
A vida é
transitória.
Tudo passa — o ouro, a glória, o poder.
Mas o que fica é aquilo que semeamos no espírito: a
bondade partilhada, a justiça defendida, o amor oferecido sem reservas.
Viemos para
crescer, para aprender, para cair e levantar, para amar e ser amados.
Viemos para trabalhar com honestidade, para estudar
e abrir horizontes, para construir uma existência digna, e a partir dela poder
estender as mãos ao outro.
Porque a
verdadeira grandeza não está em ser servido, mas em servir. E assim se escreve
o histórico da nossa vida: um livro sem título fixo, onde cada dia é uma página
em branco.
Algumas páginas trazem sorrisos, outras lágrimas;
algumas registram vitórias, outras, silêncios e esperas.
Mas ao final, o que mais importará não é a
quantidade de páginas, e sim a beleza da história que escrevemos com elas.
Que a nossa
existência seja, portanto, um legado de amor.
Que ao atravessarmos esta ponte entre a chegada e a
partida, possamos dizer:
Valeu a pena
viver.
Porque
deixei o mundo, ainda que um pouco, mais humano, mais justo, mais luminoso.
Text by grande amigo Pem / Paulo Ernesto
Medeiros
Photo by Helga