24 agosto, 2026

As Pessoas com quem convivemos !

 



AS PESSOAS COM QUEM CONVIVEMOS

 AS PESSOAS COM QUEM CONVIVEMOS E A ENERGIA QUE LEVAMOS PARA A VIDA!

Com o passar dos anos, fui compreendendo que uma das escolhas mais importantes que fazemos na vida é a escolha das pessoas com quem convivemos. Nem sempre podemos escolher todos aqueles que cruzam o nosso caminho, mas podemos decidir a quem abrimos as portas do nosso coração, com quem dividimos os nossos pensamentos e quem permitimos que permaneça mais próximo de nós.

Conviver com pessoas positivas, agradáveis, tranquilas e que sabem conversar é um verdadeiro presente. São pessoas que chegam e não pesam o ambiente. Elas sabem ouvir sem julgar, falar sem ferir, aconselhar sem impor e discordar sem transformar uma diferença de opinião em conflito. Sua presença acalma, sua palavra conforta e seu modo de agir nos faz sentir bem.

Existem pessoas que parecem trazer luz consigo. Não porque tenham uma vida perfeita ou porque estejam felizes o tempo inteiro, mas porque aprenderam a enfrentar as dificuldades sem espalhar amargura. Elas também têm seus problemas, suas dores e suas preocupações, mas não fazem desses sentimentos uma arma contra os outros. Ao contrário, procuram transmitir esperança, serenidade e confiança.

A ciência tem demonstrado que os nossos relacionamentos influenciam profundamente a saúde física e emocional. Uma boa convivência, o apoio social, o diálogo respeitoso e a sensação de pertencimento ajudam a diminuir os efeitos do estresse, fortalecem a nossa capacidade de enfrentar as dificuldades e contribuem para uma vida mais equilibrada. Aquilo que sentimos na companhia de alguém não fica apenas no pensamento: pode refletir-se no sono, no humor, na pressão arterial, no coração e até na disposição com que iniciamos um novo dia.

As emoções também são, de certa maneira, contagiosas. Quando convivemos constantemente com pessoas serenas, alegres e esperançosas, tendemos a absorver um pouco dessa maneira de olhar a vida. Da mesma forma, quando permanecemos cercados por reclamações, agressividade, pessimismo, intrigas e conflitos, podemos terminar o dia cansados, inquietos e emocionalmente esgotados, mesmo sem perceber exatamente o motivo.

Espiritualmente, acredito que cada pessoa transmite aquilo que cultiva dentro de si. Quem alimenta o amor oferece amor. Quem cultiva a paz transmite paz. Quem preserva a esperança leva esperança aos outros. Mas quem vive dominado pela raiva, pela inveja, pelo ressentimento ou pelo desejo constante de criar conflitos também acaba espalhando essa perturbação por onde passa.

Por isso, cuidar das pessoas que permitimos permanecer ao nosso redor também é uma forma de cuidar da nossa alma. Não se trata de abandonar alguém porque está passando por uma fase difícil. Todos nós temos dias ruins, momentos de tristeza e períodos em que precisamos de acolhimento. A verdadeira amizade permanece e estende a mão nesses momentos. Entretanto, existe uma grande diferença entre alguém que está sofrendo e precisa de apoio e alguém que, repetidamente, escolhe ferir, perturbar, manipular e retirar a paz dos outros.

Também não precisamos odiar ninguém para nos afastarmos. Podemos desejar o bem, perdoar e até fazer uma oração por determinada pessoa, mas compreender que a convivência próxima não nos faz bem. Às vezes, o afastamento não é falta de amor: é proteção. É reconhecer os nossos limites e preservar a tranquilidade que levamos tanto tempo para construir.

A paz interior é valiosa demais para ser entregue a qualquer pessoa. Precisamos aprender a estabelecer limites diante daqueles que chegam trazendo palavras agressivas, discussões desnecessárias, fofocas, pessimismo e energias negativas. Não devemos permitir que alguém transforme continuamente os nossos dias em um campo de batalha.

Ao mesmo tempo, precisamos olhar para nós mesmos e perguntar: que tipo de presença estamos sendo na vida dos outros? Quando chegamos, levamos paz ou inquietação? Nossas palavras confortam ou machucam? Sabemos ouvir? Respeitamos o silêncio e os sentimentos das pessoas? Transmitimos esperança ou passamos o tempo inteiro reclamando da vida?

Não basta procurar pessoas positivas; também precisamos ser uma delas.

Ser positivo não significa fingir que os problemas não existem. Significa enfrentá-los sem perder a fé. Significa reconhecer as dificuldades, mas continuar acreditando que haverá um caminho. É saber que a vida tem tempestades, porém não permitir que elas apaguem definitivamente a luz que existe dentro de nós.

Eu quero conviver com pessoas que saibam conversar, que tenham respeito, que gostem de sorrir e que tragam serenidade. Pessoas com quem seja possível dividir um café, uma lembrança, uma preocupação ou até alguns minutos de silêncio, sem constrangimento. Pessoas que não precisem diminuir ninguém para se sentirem maiores e que saibam celebrar a felicidade dos outros sem inveja.

Quero estar perto de quem me faz sentir mais leve e também desejo ser leve para quem estiver perto de mim. Quero levar uma palavra amiga, um abraço sincero, um pouco de esperança e tranquilidade. Afinal, não sabemos o tamanho da batalha que cada pessoa está enfrentando em silêncio.

A vida já nos apresenta dificuldades suficientes. Não precisamos escolher companhias que aumentem desnecessariamente o peso da caminhada. Que possamos caminhar ao lado de quem nos ajuda a enxergar a beleza dos dias, mesmo quando o céu está nublado; de quem fortalece a nossa fé e nos lembra de que sempre existe uma razão para continuar.

No final, a energia que oferecemos ao mundo retorna de muitas maneiras. Quem planta bondade encontra acolhimento. Quem oferece respeito constrói confiança. Quem transmite paz cria ao seu redor um lugar onde os corações podem descansar.

Que Deus nos conceda sabedoria para reconhecer as boas companhias, coragem para nos afastarmos daquilo que nos faz mal e humildade para examinarmos a energia que nós mesmos estamos transmitindo.

Que sejamos presença de luz, de esperança e de paz. E que, ao passarmos pela vida de alguém, deixemos essa pessoa um pouco mais feliz, mais tranquila e mais fortalecida do que estava antes de nos encontrar.

 

Text :Paulo Ernesto Medeiros PEM

Photo by Helga-Praia da Armação

07 agosto, 2026

A Idade em Que o Tempo Senta à Mesa .

 


A Idade em Que o Tempo Senta à Mesa.

 

Existe uma fase da vida em que o espelho começa a nos tratar com uma sinceridade quase ofensiva.

 

Os cabelos debandam discretamente. Os joelhos passam a emitir boletins sonoros. A memória, às vezes, resolve brincar de esconde-esconde justamente com o nome daquela pessoa que acabamos de encontrar no supermercado.

 

E há também o fenômeno mais cruel de todos: levantar da cadeira emitindo um “opa!” involuntário… como se a coluna precisasse de autorização verbal para funcionar.

 

Mas talvez exista uma beleza secreta nisso tudo.

 

Porque, enquanto o corpo vai lentamente negociando limites com o tempo, a alma — curiosamente — começa a ficar maior.

 

Mais generosa. Mais paciente. Mais humana.

 

Chega uma idade em que já não precisamos vencer discussões inúteis. Nem provar inteligência. Nem disputar importância. A vida finalmente nos ensina que certos troféus pesam mais do que valem.

 

Então começamos a trocar pressa por presença.

 E isso muda tudo.

 

O café deixa de ser apenas café. Vira cerimônia. Vira encontro. Vira desculpa para conversar sem relógio.

 As amizades antigas ganham um brilho raro.

  Porque sobreviveram às décadas, aos desencontros, às mudanças, às perdas, às teimosias e até às opiniões políticas — milagre estatisticamente improvável para homens acima dos setenta… especialmente em grupos de WhatsApp.

 

E o amor… Ah, o amor também muda.

 Já não precisa incendiar o mundo. Basta aquecer o coração.

 Às vezes ele chega na forma de uma mensagem simples: “Você está bem?”

  E pronto. Aquilo ilumina o dia inteiro.

 Descobrimos também que aventura, na maturidade, ganhou novos significados.

 

 Dormir a noite inteira sem acordar duas vezes para ir ao banheiro virou quase uma experiência transcendental. 

Encontrar um exame médico com todos os índices normais provoca emoção semelhante à conquista de uma Copa do Mundo.

E viajar sem esquecer os remédios já pode ser considerado um ato de ousadia internacional.

 

Mas existe algo profundamente épico em continuar vivendo com ternura apesar de tudo.

    Apesar das ausências.

    Apesar das despedidas.

  Apesar dos amigos que partiram cedo demais e deixaram cadeiras vazias em nossas mesas e silêncios difíceis de explicar.


 Ainda assim… continuamos marcando encontros.

  Planejando viagens. Rindo das mesmas histórias.

  Inventando motivos para celebrar aniversários.

  Plantando ipês brancos em algum canto da memória.

 

Talvez seja isso que sustenta o mundo sem que a gente perceba: homens e mulheres comuns insistindo delicadamente em continuar amando a vida.

 Porque envelhecer não é desaparecer.

 É diminuir o barulho externo para escutar melhor o essencial.

 

É descobrir que felicidade talvez nunca tenha sido uma linha de chegada. Era apenas aquela conversa boa depois do almoço… o telefonema inesperado… o abraço demorado… o amigo que ainda lembra do seu apelido de juventude… e a mesa onde alguém sempre guarda um lugar para você.


 No fim das contas, talvez a grande vitória da maturidade seja esta:

aprender que a vida não precisa mais correr.

 

Agora ela pode apenas… sentar conosco à mesa.

 

 

Text desconheço autor

Photo ( me) by Helga and AI effects